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	<title>Fernando Panissi &#187; memórias</title>
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		<title>um dia para não esquecer.</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jul 2008 21:30:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Panissi</dc:creator>
				<category><![CDATA[opinião]]></category>
		<category><![CDATA[pensamentos]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[memórias]]></category>
		<category><![CDATA[pai]]></category>

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Sabe aquelas pessoas que não tem inimigos? Compartilham o único pão que tem com quem tem fome? Aquelas pessoas onde a honestidade vem antes dos desejos? Aquela pessoa que ama a natureza de tal forma que o melhor lugar para se estar é no meio do mato? Aquele pai que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sábado, 05 de Julho de 2008.</p>
<p class="MsoNormal">Sabe aquelas pessoas que não tem inimigos? Compartilham o único pão que tem com quem tem fome? Aquelas pessoas onde a honestidade vem antes dos desejos? Aquela pessoa que ama a natureza de tal forma que o melhor lugar para se estar é no meio do mato? Aquele pai que deu aos filhos o que há de mais precioso e que dinheiro nenhum compra? Sabe aquela pessoa rígida com seus princípios, rígida com sua conduta e ciente de estar fazendo o melhor para os outros antes de fazer para si?</p>
<p class="MsoNormal">Esta pessoa para mim tem nome, chama-se Jurandyr Panissi. Com Y mesmo, caprichos de escrivão lá em idos de 1935 quando nasceu na cidade de Uchôa &#8211; interior de São Paulo. Era um bela quinta-feira, dia 26 de dezembro.</p>
<p class="MsoNormal">Ali nasceu um menino franzino, aos 7 meses de gestação. Filho de Sebastiana, descendente de nordestinos, mulher forte, batalhadora, matriarca de uma família grande. Muitos filhos, pouco dinheiro, mas muito amor e força para dar. Filho de Silvio, descendente de italianos. Homem forte, rígido e disciplinador. Ensinou os filhos os valores do trabalho e da terra. Os ensinou a serem homens de bem e de coragem.</p>
<p class="MsoNormal">Em meio a eles, o pequeno Jurandyr, serelepe que só ele. Trabalhar era a mesma coisa que brincar. Era esforçado, mas não perdia a oportunidade de correr, subir em arvores ou sair em disparada com uma das mulas usadas por seu pai na construção da rodovia Washington Luis.</p>
<p class="MsoNormal">Já moço, veio para São Paulo, depois de serpentear este interior, sempre trabalhando e se divertindo. Chegando aqui trabalhou na construção civil, e em uma de suas obras, a construção de um edifício na Al. Itú, conheceu<span> </span>uma linda mineira, de nome diferente, a Delminda, ou para quem a conhecia, simplesmente Dedé.</p>
<p class="MsoNormal">Começaram a namorar, e como inspiração a longevidade que teriam em vida, namoraram por 7 anos. Casando-se quando já tinha 40 anos de idade. Mostrou como aproveitar a mocidade, agora era um pai de família, pois logo no ano seguinte veio sua primeira filha, Flávia. Garota brincalhona e criativa, que desde criança mostrou um talento natural para as artes e<span> </span>para a amizade.</p>
<p class="MsoNormal">Depois veio certo rapaz, Fernando, de quem não irei falar.</p>
<p class="MsoNormal">Jurandyr não era perfeito. Mas para os filhos ele o foi. Foi na hombridade de reconhecer seu vício pelo álcool e acreditar que uma injeção de soro, que nada de medicinal tinha iria curá-lo do vicio. E se curou, por ele e para a família. Ensinou ali a todos a força da determinação e da vontade.</p>
<p class="MsoNormal">Ensinou que a vida é uma construção, e precisa de uma base sólida, de princípios e <span> </span>determinações.</p>
<p class="MsoNormal">Ensinou que o rico não é diferente do pobre, tão pouco o branco é do preto. Mostrou que todos devem ser tratados de forma igual.</p>
<p class="MsoNormal">Sem nunca ter lido um livro, ensinou de que devemos servir para sermos servidos. Ensinou a matemática dos justos, e o português dos nobres.</p>
<p class="MsoNormal">Jurandyr foi mais que um homem que passou pela Terra. Foi um pai que deu a vida a família e aos filhos. Soube viver cada dia. Feliz ou triste de sua vida. Soube aproveitar o que tinha. Sonhar com o que queria e não sofrer pelo que não iria ter. Até isto ensinou.</p>
<p class="MsoNormal">No dia 5 de Julho ele partiu. Descansou em fim depois de 72 anos de ensinamentos. Deixar registrada suas últimas palavras é a coisa mais difícil que alguém pode fazer, mas é importante deixá-las, para isso, deixarei o discurso histórico e falarei em primeira pessoa.</p>
<p class="MsoNormal">Estava eu no CTI do hospital, segurando as mãos de meu pai, que me olhou e disse:</p>
<p class="MsoNormal"><em>“Filho, isso aqui é muito difícil&#8230; Mas vá com Deus e eu te amo”.</em></p>
<p class="MsoNormal">Apenas consegui segurar sua mão e beijar sua face dizendo: “<em>também te amo pai, tenha muita força, pois precisamos de você.”</em></p>
<p class="MsoNormal">Foram as últimas palavras nossas que ele ouviu, e foram as últimas que dissera a um de seus rebentos e esposa.</p>
<p class="MsoNormal">As 19:30 ele se foi. Não nos deixou, pois estará sempre em nossos corações.</p>
<p class="MsoNormal">Obrigado a todos que, como eu, o amaram. Obrigado a todos que pensaram ao menos 1 segundo de suas vidas nele. Seja em vida, seja agora que está em espírito junto a nós.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Força pai! Tenha certeza de que cumpriu seu papel de pai. Fez um homem de bem e de princípios. Muito obrigado por tudo. Só posso finalizar assim:</p>
<p class="MsoNormal">MUITO OBRIGADO.</p>
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